A Importância da Construção Sustentável
A construção sustentável é a solução para muitos
dos problemas e deve urgentemente tornar-se a norma, porque salvaguarda o
conforto salubridade dos que a habitam. Garante uma utilização racional de
todos os recursos (durante a construção, a operação e em fim de vida dos
edifícios) e protege e potencia o bom desempenho dos ecossistemas.
O nosso primeiro contributo é ganhar consciência do
impacto ambiental de todos os nossos gestos e práticas, sabendo que podem ser
sempre melhorados. Por isso é nossa responsabilidade procurar a informação que
precisamos para melhorarmos as nossas vidas quotidianas.
O Meio edificado é o principal responsável pelas
emissões de gases com efeito estufa porque, por si só e à escala do planeta,
consome quase metade da energia produzida.
Estas boas práticas, reunidas sob o cabeçalho da
Construção Sustentável, devem corresponder à especificidade do contexto
climático, cultural e comportamental no qual se exercem e devem,
simultaneamente, contribuir para aumentar a qualidade de vida (saúde e
bem-estar) de todas as pessoas, enquanto utilizadoras do meio edificado hoje
amanhã. O meio edificado precisa de interagir positivamente com clima, enquanto
os recursos renováveis devem ser integrados, de forma inteligente e eficiente,
nas redes de abastecimento de energia de água e nos materiais que utilizamos.
Uma boa concepção na construção de
edifício proporciona uma boa interação entre o edifício e o clima e aumenta a
eficiência da utilização de recursos não renováveis ao longo da sua vida útil.
Temos que enfrentar e desmontar as
barreiras que mais fortemente afetam o setor da construção e que funcionam a
desfavor da implementação de medidas que promovem a melhoria do desempenho
energético-ambiental do meio edificado:
1. A falta de conhecimento do
impacto energético-ambiental que as atuais práticas da construção;
2. A informação e o know-how
relevantes para inverter as tendências não estão bem disponíveis para os
principais atores do setor da construção;
3. A ausência de coerência na
mensagem política confunde tanto o setor da construção como o mercado;
4. A gestão nacional, regional e
local, com os seus processos extremamente burocráticos de licenciamento,
dedica-se à verificação de conformidades e não à gestão de oportunidades;
5. Por não ter tornado ainda prática comum o
diálogo permanente, continuo e interdisciplinar entre todos os elementos da
equipa de projeto e de realização operação de edifícios, diálogo essencial para
o alargamento de boas práticas, pelo que é indispensável alargar-se a cultura
de multidisciplinaridade nas equipas de planeamento de projeto;
O impacto negativo da ausência de condições de
salubridade e de conforto no interior dos edifícios não afeta apenas a
qualidade de vida das pessoas, mas também a economia do país, porque uma
sociedade baseada no consumo, como a nossa, apenas pode ter sucesso se for produtiva.
Enquanto elementos integrantes de uma comunidade econômica, o fato da
produtividade das pessoas poder aumentar em 15% quando as condições de conforto
ambiental são boas e também determinante.
Para criar ambientes interiores
salubres e confortáveis, é essencial o bom relacionamento do edifício com o
clima com ou contexto físico em que está inserido. Na essência depende da
permeabilidade seletiva do edifício e da sua capacidade adequada para acumular
absorver:
1. O calor ou o frio que estão
disponíveis no exterior – quanta desta ‘energia’ proveniente do exterior deve
entrar, quanta deve ser imediatamente libertada e quanta deve ser acumulada no
interior para ser libertada mais tarde, quando o seu efeito for desejado, e
quanta deverá ser rejeitada porque não é desejada no interior;
2. O ar no exterior (contendo
impurezas e poluentes nocivos) – que vem renovar o interior. Quantas das
impurezas são respiradas pelos utilizadores?
3. A iluminação natural disponível no exterior.
Qual a capacidade que o edifício oferece para controlar a quantidade e a
qualidade da iluminação natural que penetra do exterior. Num clima tão
favorável à implementação das tecnologias solares passivas e ativas, torna- se
difícil compreender, na construção, que a exploração dessas oportunidades que
estão ao alcance de todos seja um comportamento apenas por exceção.
Uma utilização racional dos recursos naturais
(materiais e resíduos). Inclui selecionar os materiais para a construção ao
levar em consideração a sua durabilidade, o potencial de reutilização e de
reciclagem e o seu impacto sobre a qualidade do ar no interior. Mas nem sempre
é fácil avaliar o impacto ambiental global de um determinado material ou
sistema, porque a informação relevante não está disponível. É relevante considerar
o ciclo de vida dos materiais e dos sistemas que são utilizados nos edifícios.
Os critérios que devem reger todo
o consumo de utilização de energia e de materiais passam por cinco critérios a
ponderar, sempre que se especificam materiais:
REDUZIR: questionar-se os
materiais especificados são efetivamente necessários para a otimização do
desempenho energético-ambiental do edificado durante toda a sua vida?
REUTILIZAR: questionar se os
materiais especificados são provenientes de demolições ou de desmontagens e se
são instalados de forma a poderem vir a ser reutilizados no fim da vida do
edifício?
RECICLAR: questionar, se antes de
substituir os materiais, se é possível considerar a sua recuperação?
ELIMINAÇÃO RESPONSÁVEL: questionar se estão a ser
eliminados apenas aqueles materiais que, efetivamente, não têm outro destino
possível e se a sua eliminação não está a causar problemas ambientais?
Alguns exemplos de Construções sustentáveis:
Por: Gilmar Oliveira


